Terça-feira, Julho 01, 2008

Rir quando não se deve…

Para quem (também) anda na FDUC, isto fará especial sentido ;-)

Por estes dias, nada parece correr como devia, de ironia em ironia. E talvez em virtude do meu peculiar sentido de humor, acabo por ser mal interpretado.. no mínimo!

Claro que há sempre algumas coisas que “ajudam” a que eu seja mal interpretado, como aconteceu hoje, quando me ri quando não devia (e várias vezes). Acontece-me com relativa facilidade rir quando não devo, quando existe alguma situação em que é completamente inadequado esboçar um sorriso, como por exemplo quando alguém diz uma invejável sequência de disparates ao chefe, bem elucidativos de alguma incompetência, e o chefe começa a passar-se da cabeça com essa pessoa, dando-lhe uma descompostura e eu …. começo a rir…. Ou seja, a receita perfeita para um bom ambiente de trabalho com os colegas de gabinete!!

Lembro-me do tempo em que trabalhava na faculdade e fazia parte do júri das orais e da reputação de arrogante e insensível que ganhei à custa disso.

Como devem imaginar (eu imagino, pois lembro-me bem do que sentia quando estava do lado de lá), quando se faz uma oral num sítio como a FDUC, a última coisa que queremos ver/ouvir é a pessoa que está no júri começar a rir quando se erra uma pergunta (bem, há que ser preciso, não era só errar, tal seria um eufemismo, a frase correcta é “quando se erra uma pergunta e se diz um tremendo disparate”). Pois, eu sou desse tipo de pessoas… acreditem que bem me esforçava por evitar, mas a minha mente humorística é mesmo retorcida (ou nem tanto. Será que alguém pode ficar indiferente à seguinte sequência pergunta/resposta: “onde podemos encontrar o capital social de uma sociedade comercial? Na Caixa Geral de Depósitos!”). O pior era a injustiça (na minha perspectiva) de os alunos pensarem que eu estava a gozar com a desgraça alheia.. quando simplesmente tenho uma vontade incontrolável de rir. O cúmulo da ironia (algo também frequente nos dias que correm…) era um professor com quem eu fazia orais, que era considerado “um querido e um amor” pelas alunas e “um gajo porreiro” pelos alunos e que, na verdade, era o maior cab*** com quem eu fazia orais… mas claro, enquanto o proveito era dele, a fama era toda para mim. Pegando no exemplo anterior, ele partia da resposta e desenvolvia sadicamente: “aí sim? em que agência da CGD? Tem a certeza que não pode estar noutro banco? E não se pode transferir o capital social para outro banco? Ora pense lá. Isso não levantaria problemas de concorrência?” .. como já devem estar a imaginar, para ele o aluno já estava chumbado no primeiro disparate!

E conseguia manter-se sério durante todo o processo de tortura. Não só resistia ao riso do disparate, como, entretanto (isto é, enquanto o aluno desesperava com a sequência de perguntas sem sentido), me segredava entre os dentes: “este tipo vai mas é limpar casas de banho para a CGD, só diz m****!”. Mas não ficava por aqui, depois da tortura, ainda tinha o discurso nutrido do mais requintado companheirismo do mundo, do género: “Vi que estava nervoso, sei que estudou. É um aluno para mais altos voos. Não sei se vai dar para passar, mas fique descansado que ponderarei muito bem o seu esforço”. Claro que, entretanto, ele já tinha escrito “reprovado” na ficha de avaliação! Para a posteridade ficava: “aquele cab*** do gajo que se pôs a rir é que me tramou”. E por aí fora…

Mas, por estes dias que correm, o humor é tudo que tenho! (a adjectivação fica por vossa conta)


Retirado, com a devida vénia, d'O Carteiro.

2 comentários:

Maria disse...

Fantastico!
Nunca estudei na FDUC, estudei em Coimbra e sei-lhe a fama!
Ver o outro lado e sempre engracado - nem que seja pelo humor da situacao!

Ocarteiro disse...

Uma saudação especial do autor, presumo que tenha gostado!