Quarta-feira, Novembro 05, 2008
Quarta-feira, Setembro 24, 2008
Sabemos que estamos a perder alguma coisa
... quando a nossa "antiga" faculdade publica isto no seu site:
Divisão de Alunos por Turmas Teóricas
Introdução ao Direito - 1º Ano
1ª turma teórica - De: Abel Acurcio a Dina Zacarias
2ª turma teórica - De: Diogo Almeida a Margarida Zacarias
3ª turma teórica - De: Maria Abelina a Zulmira
Direito Comercial I - 4º Ano
1ª turma teórica - De: Abel Acurcio a Eva Zacarias
2ª turma teórica - De: Fabiana Almeida a Manuel Zabal
3ª turma teórica - De: Maria Abelina a Zulmira
Divido-me entre pensar que são nomes reais de colegas meus (e assim, que curioso seria terem sido escolhidos só os mais estranhos para delimitar as turmas), ou invenções da faculdade para poderem na prática aplicar aos nomes próprios e apelidos dos alunos inscritos nas cadeiras (o que continua a ser divertido, porque podiam ter atingido o mesmo objectivo com nomes comuns). Seriously, Abelina e Zabal?!
Divisão de Alunos por Turmas Teóricas
Introdução ao Direito - 1º Ano
1ª turma teórica - De: Abel Acurcio a Dina Zacarias
2ª turma teórica - De: Diogo Almeida a Margarida Zacarias
3ª turma teórica - De: Maria Abelina a Zulmira
Direito Comercial I - 4º Ano
1ª turma teórica - De: Abel Acurcio a Eva Zacarias
2ª turma teórica - De: Fabiana Almeida a Manuel Zabal
3ª turma teórica - De: Maria Abelina a Zulmira
Divido-me entre pensar que são nomes reais de colegas meus (e assim, que curioso seria terem sido escolhidos só os mais estranhos para delimitar as turmas), ou invenções da faculdade para poderem na prática aplicar aos nomes próprios e apelidos dos alunos inscritos nas cadeiras (o que continua a ser divertido, porque podiam ter atingido o mesmo objectivo com nomes comuns). Seriously, Abelina e Zabal?!
Quarta-feira, Setembro 03, 2008
Quarta-feira, Agosto 20, 2008
Rick Overton e Amigos
Na passada semana, eu e o Pedro tivémos a oportunidade de assistir a dois concertos integrados no VIIth International Music Festival de Viana do Castelo. O primeiro foi dia 11, gratuito, no Café Teatro e intitulava-se "Não Só Bach".

Tendo uma primeira parte só de música clássica, para nós destacou-se a que veio a seguir: vários temas de jazz interpretados por Rick Overton (um trompetista americano que é actualmente professor no Tokyo College of Music, no Japão) e uma banda constituída por estudantes de música de diversos países.

Rick Overton (trompete)

Kozue Kuriyama (piano)

Artem Chirkov (contrabaixo)

João Cunha (percussão)

Pasha Tseitlin (violino)
As músicas tocadas foram as seguintes:
Just Do It - Rick Overton
My Funny Valentine - Richard Rogers
Jordu - Duke Jordan
Mas Que Nada - Jorge Ben
Entusiasmados pela qualidade deste espectáculo, comprámos bilhetes também para a Gala Jazz, que teve lugar dia 14 no Teatro Sá de Miranda. Repetiu-se a primeira parte dedicada à música clássica (que devo admitir não apreciar muito) e os mesmos artistas juntaram-se na segunda para mais uma série de jazz. Aí já não nos foi permitido tirar fotos, mas fica o registo de apreço por esta iniciativa e o contentamento por termos assistido a tão bons concertos.
Mariana

Tendo uma primeira parte só de música clássica, para nós destacou-se a que veio a seguir: vários temas de jazz interpretados por Rick Overton (um trompetista americano que é actualmente professor no Tokyo College of Music, no Japão) e uma banda constituída por estudantes de música de diversos países.

Rick Overton (trompete)

Kozue Kuriyama (piano)

Artem Chirkov (contrabaixo)

João Cunha (percussão)

Pasha Tseitlin (violino)
As músicas tocadas foram as seguintes:
Just Do It - Rick Overton
My Funny Valentine - Richard Rogers
Jordu - Duke Jordan
Mas Que Nada - Jorge Ben
Entusiasmados pela qualidade deste espectáculo, comprámos bilhetes também para a Gala Jazz, que teve lugar dia 14 no Teatro Sá de Miranda. Repetiu-se a primeira parte dedicada à música clássica (que devo admitir não apreciar muito) e os mesmos artistas juntaram-se na segunda para mais uma série de jazz. Aí já não nos foi permitido tirar fotos, mas fica o registo de apreço por esta iniciativa e o contentamento por termos assistido a tão bons concertos.
Mariana
Quarta-feira, Julho 16, 2008
DVNO
Excelente video clip dos Justice. Não sei se tanto pela música, mas visualmente resulta muito bem...
Pedro
Pedro
Terça-feira, Julho 01, 2008
Rir quando não se deve…
Para quem (também) anda na FDUC, isto fará especial sentido ;-)
Por estes dias, nada parece correr como devia, de ironia em ironia. E talvez em virtude do meu peculiar sentido de humor, acabo por ser mal interpretado.. no mínimo!
Claro que há sempre algumas coisas que “ajudam” a que eu seja mal interpretado, como aconteceu hoje, quando me ri quando não devia (e várias vezes). Acontece-me com relativa facilidade rir quando não devo, quando existe alguma situação em que é completamente inadequado esboçar um sorriso, como por exemplo quando alguém diz uma invejável sequência de disparates ao chefe, bem elucidativos de alguma incompetência, e o chefe começa a passar-se da cabeça com essa pessoa, dando-lhe uma descompostura e eu …. começo a rir…. Ou seja, a receita perfeita para um bom ambiente de trabalho com os colegas de gabinete!!
Lembro-me do tempo em que trabalhava na faculdade e fazia parte do júri das orais e da reputação de arrogante e insensível que ganhei à custa disso.
Como devem imaginar (eu imagino, pois lembro-me bem do que sentia quando estava do lado de lá), quando se faz uma oral num sítio como a FDUC, a última coisa que queremos ver/ouvir é a pessoa que está no júri começar a rir quando se erra uma pergunta (bem, há que ser preciso, não era só errar, tal seria um eufemismo, a frase correcta é “quando se erra uma pergunta e se diz um tremendo disparate”). Pois, eu sou desse tipo de pessoas… acreditem que bem me esforçava por evitar, mas a minha mente humorística é mesmo retorcida (ou nem tanto. Será que alguém pode ficar indiferente à seguinte sequência pergunta/resposta: “onde podemos encontrar o capital social de uma sociedade comercial? Na Caixa Geral de Depósitos!”). O pior era a injustiça (na minha perspectiva) de os alunos pensarem que eu estava a gozar com a desgraça alheia.. quando simplesmente tenho uma vontade incontrolável de rir. O cúmulo da ironia (algo também frequente nos dias que correm…) era um professor com quem eu fazia orais, que era considerado “um querido e um amor” pelas alunas e “um gajo porreiro” pelos alunos e que, na verdade, era o maior cab*** com quem eu fazia orais… mas claro, enquanto o proveito era dele, a fama era toda para mim. Pegando no exemplo anterior, ele partia da resposta e desenvolvia sadicamente: “aí sim? em que agência da CGD? Tem a certeza que não pode estar noutro banco? E não se pode transferir o capital social para outro banco? Ora pense lá. Isso não levantaria problemas de concorrência?” .. como já devem estar a imaginar, para ele o aluno já estava chumbado no primeiro disparate!
E conseguia manter-se sério durante todo o processo de tortura. Não só resistia ao riso do disparate, como, entretanto (isto é, enquanto o aluno desesperava com a sequência de perguntas sem sentido), me segredava entre os dentes: “este tipo vai mas é limpar casas de banho para a CGD, só diz m****!”. Mas não ficava por aqui, depois da tortura, ainda tinha o discurso nutrido do mais requintado companheirismo do mundo, do género: “Vi que estava nervoso, sei que estudou. É um aluno para mais altos voos. Não sei se vai dar para passar, mas fique descansado que ponderarei muito bem o seu esforço”. Claro que, entretanto, ele já tinha escrito “reprovado” na ficha de avaliação! Para a posteridade ficava: “aquele cab*** do gajo que se pôs a rir é que me tramou”. E por aí fora…
Mas, por estes dias que correm, o humor é tudo que tenho! (a adjectivação fica por vossa conta)
Retirado, com a devida vénia, d'O Carteiro.
Por estes dias, nada parece correr como devia, de ironia em ironia. E talvez em virtude do meu peculiar sentido de humor, acabo por ser mal interpretado.. no mínimo!
Claro que há sempre algumas coisas que “ajudam” a que eu seja mal interpretado, como aconteceu hoje, quando me ri quando não devia (e várias vezes). Acontece-me com relativa facilidade rir quando não devo, quando existe alguma situação em que é completamente inadequado esboçar um sorriso, como por exemplo quando alguém diz uma invejável sequência de disparates ao chefe, bem elucidativos de alguma incompetência, e o chefe começa a passar-se da cabeça com essa pessoa, dando-lhe uma descompostura e eu …. começo a rir…. Ou seja, a receita perfeita para um bom ambiente de trabalho com os colegas de gabinete!!
Lembro-me do tempo em que trabalhava na faculdade e fazia parte do júri das orais e da reputação de arrogante e insensível que ganhei à custa disso.
Como devem imaginar (eu imagino, pois lembro-me bem do que sentia quando estava do lado de lá), quando se faz uma oral num sítio como a FDUC, a última coisa que queremos ver/ouvir é a pessoa que está no júri começar a rir quando se erra uma pergunta (bem, há que ser preciso, não era só errar, tal seria um eufemismo, a frase correcta é “quando se erra uma pergunta e se diz um tremendo disparate”). Pois, eu sou desse tipo de pessoas… acreditem que bem me esforçava por evitar, mas a minha mente humorística é mesmo retorcida (ou nem tanto. Será que alguém pode ficar indiferente à seguinte sequência pergunta/resposta: “onde podemos encontrar o capital social de uma sociedade comercial? Na Caixa Geral de Depósitos!”). O pior era a injustiça (na minha perspectiva) de os alunos pensarem que eu estava a gozar com a desgraça alheia.. quando simplesmente tenho uma vontade incontrolável de rir. O cúmulo da ironia (algo também frequente nos dias que correm…) era um professor com quem eu fazia orais, que era considerado “um querido e um amor” pelas alunas e “um gajo porreiro” pelos alunos e que, na verdade, era o maior cab*** com quem eu fazia orais… mas claro, enquanto o proveito era dele, a fama era toda para mim. Pegando no exemplo anterior, ele partia da resposta e desenvolvia sadicamente: “aí sim? em que agência da CGD? Tem a certeza que não pode estar noutro banco? E não se pode transferir o capital social para outro banco? Ora pense lá. Isso não levantaria problemas de concorrência?” .. como já devem estar a imaginar, para ele o aluno já estava chumbado no primeiro disparate!
E conseguia manter-se sério durante todo o processo de tortura. Não só resistia ao riso do disparate, como, entretanto (isto é, enquanto o aluno desesperava com a sequência de perguntas sem sentido), me segredava entre os dentes: “este tipo vai mas é limpar casas de banho para a CGD, só diz m****!”. Mas não ficava por aqui, depois da tortura, ainda tinha o discurso nutrido do mais requintado companheirismo do mundo, do género: “Vi que estava nervoso, sei que estudou. É um aluno para mais altos voos. Não sei se vai dar para passar, mas fique descansado que ponderarei muito bem o seu esforço”. Claro que, entretanto, ele já tinha escrito “reprovado” na ficha de avaliação! Para a posteridade ficava: “aquele cab*** do gajo que se pôs a rir é que me tramou”. E por aí fora…
Mas, por estes dias que correm, o humor é tudo que tenho! (a adjectivação fica por vossa conta)
Retirado, com a devida vénia, d'O Carteiro.
Domingo, Junho 15, 2008
Frase do dia
Um Republicano é um Democrata que já foi assaltado.
Nip / Tuck, episódio 7 da 5ª temporada
Nip / Tuck, episódio 7 da 5ª temporada
Sábado, Maio 10, 2008
A alimentação no mundo

Itália: a família Manzo da Sicília
Gastos semanais: 214.36 Euros ou $260.11

Alemanha: a família Melander de Bargteheide
Gastos semanais: 375.39 Euros ou $500.07

E.U.A.: a família Revis da Carolina do Norte
Gastos semanais: $341.98

México: a família Casales de Cuernavaca
Gastos semanais: 1,862.78 Pesos ou $189.09

Polónia: a família Sobczynscy de Konstancin-Jeziorna
Gastos semanais: 582.48 Zlotys ou $151.27

Egipto: a família Ahmed do Cairo
Gastos semanais: 387.85 Egyptian Pounds ou $68.53

Equador: a família Ayme de Tingo
Gastos semanais: $31.55

Bhutan: a família Namgay de Shingkhey Village
Gastos semanais: 224.93 ngultrum ou $5.03

Chad: a família Aboubakar de Breidjing Camp
Gastos semanais: 685 CFA Francs or $1.23
É impressionante notar, não só a diminuação dos orçamentos familiares à medida que vamos descendo, mas também (como alguém faz notar nos comentários) a comida parecer mais comida nos países mais pobres (em vez dos enlatados e alimentos processados dos países desenvolvidos)...
Segunda-feira, Abril 14, 2008
2ª Maratona Fotográfica FNAC Coimbra

Cores

Vícios

Vale do Inferno

As Aparências Iludem

Solidão

Mulher

Abraço

Milagre
Agora, no próximo sábado, as fotografias de todos os participantes estarão expostas na FNAC e serão anunciados os vencedores! Lá estaremos também.
Segunda-feira, Março 31, 2008
10ª Travessia de Portugal em Balão de Ar Quente






























Ficou a vontade de, um dia, voar também num destes balões!
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Sábado, Março 22, 2008
2ª Maratona Fotográfica FNAC Coimbra
Sábado, Fevereiro 23, 2008
Terça-feira, Fevereiro 19, 2008
Hilarious
Algumas pérolas de Freitas do Amaral, enquanto docente universitário, com visita obrigatória:
http://portugalcontemporaneo.blogspot.com/2008/02/to-economize.html
Pedro
http://portugalcontemporaneo.blogspot.com/2008/02/to-economize.html
Pedro
Terça-feira, Janeiro 29, 2008
Tributo a D. Carlos I, cem anos depois
No próximo sábado assinalam-se os cem anos do regicídio, do assassinato do rei D. Carlos e do príncipe real D. Luís Filipe (1). A efeméride será, essencialmente, assinalada pelas reais associações do país. No entanto, enquanto portugueses, devíamos prestar uma homenagem à figura de D. Carlos.
Primeiro, porque enquanto democratas não nos podemos rever no modo como o monarca - e o seu legítimo descendente - foi afastado do trono português. Segundo, porque D. Carlos se revelou, durante o seu reinado, uma figura ímpar. Enquanto diplomata, foi um dos monarcas mais respeitados da Europa e um interlocutor privilegiado com as casas reais de uma Europa que, à época, era maioritariamente constituída por monarquias. Logo que sobe ao trono, enfrenta o Ultimato Inglês que o testa e confronta com a incapacidade portuguesa para contestar as pretensões britânicas, a maior potência à época (1, 2). Enquanto político, D. Carlos intervém, sem sucesso, para contrariar a alternância política que rapidamente se instala no poder político português (3). Aceita a criação de um Partido Republicano, o mesmo que tomara assentos na assembleia legislativa e presidirá, em 1908, à câmara de Lisboa. Mostrava-se atento às movimentações políticas em Portugal, preocupado com a falta de espírito empreendedor nos políticos. A sua dívida cresce, fruto de uma fazenda que permanece a mesma desde o reinado de D. João VI. O rei arrecada as culpas e, errando, não poupa. Enquanto artista e cientista, D. Carlos supera todas as outras dimensões. Foi o maior impulsionador nos estudos oceanográficos em Portugal, criador do Aquário Vasco da Gama e um apaixonado pelos oceanos e pela fauna marítima. Um habilidoso pintor e retratista e um dotado atirador e caçador (1). Um crítico da igreja, um reformador do exército. A nível pessoal, um homem tímido e reservado (2), uma figura talhada para a tragédia.
O regicídio, a 1 de Fevereiro de 1908. A escolha dos bárbaros para vergonha dos democratas e justos.
Penso que um grande estadista, como foi D. Carlos I, está acima de debates sobre a natureza republicana ou monárquica do regime. Uma pessoa, notável nos trabalhos que desenvolveu nas artes e ciências, merece uma referência elogiosa.
Talvez Portugal precisasse de mais homens assim: cultos, informados, preocupados com a evolução dos destinos do país. Ou, eventualmente, apenas precisa de escutar os bons que tem. A História não responde a probabilidades. Mas, no final, fica-me a questão quanto ao que teria acontecido se D. Carlos tivesse abdicado em favor de D. Luís Filipe, figura conotada com os críticos do governo de João Franco (4) e extremamente popular (3, 5)? Estaríamos melhor?
Nota: A camarada Mariana provavelmente não se revê nesta minha mensagem, pelo que a convido a um saudável contraditório.
Pedro
(1) Cf., Ramos, R. (2006). D. Carlos I. Lisboa: Círculo dos Leitores.
(2) Cf., Pailler, J. (2001). D. Carlos I: Rei de Portugal. Lisboa: Bertrand Editora.
(3) Cf., D. Carlos I (2006). Cartas D’El Rei D. Carlos I a João Franco. Lisboa: Betrand.
(4) Facto desmentido por João Franco em Cartas D’El-Rei D. Carlos I, mas que permitiria ao príncipe herdeiro uma inversão na política da casa real portuguesa.
(5) Cf., http://ww1.rtp.pt/noticias/?article=322626&visual=26&tema=5
Primeiro, porque enquanto democratas não nos podemos rever no modo como o monarca - e o seu legítimo descendente - foi afastado do trono português. Segundo, porque D. Carlos se revelou, durante o seu reinado, uma figura ímpar. Enquanto diplomata, foi um dos monarcas mais respeitados da Europa e um interlocutor privilegiado com as casas reais de uma Europa que, à época, era maioritariamente constituída por monarquias. Logo que sobe ao trono, enfrenta o Ultimato Inglês que o testa e confronta com a incapacidade portuguesa para contestar as pretensões britânicas, a maior potência à época (1, 2). Enquanto político, D. Carlos intervém, sem sucesso, para contrariar a alternância política que rapidamente se instala no poder político português (3). Aceita a criação de um Partido Republicano, o mesmo que tomara assentos na assembleia legislativa e presidirá, em 1908, à câmara de Lisboa. Mostrava-se atento às movimentações políticas em Portugal, preocupado com a falta de espírito empreendedor nos políticos. A sua dívida cresce, fruto de uma fazenda que permanece a mesma desde o reinado de D. João VI. O rei arrecada as culpas e, errando, não poupa. Enquanto artista e cientista, D. Carlos supera todas as outras dimensões. Foi o maior impulsionador nos estudos oceanográficos em Portugal, criador do Aquário Vasco da Gama e um apaixonado pelos oceanos e pela fauna marítima. Um habilidoso pintor e retratista e um dotado atirador e caçador (1). Um crítico da igreja, um reformador do exército. A nível pessoal, um homem tímido e reservado (2), uma figura talhada para a tragédia.
O regicídio, a 1 de Fevereiro de 1908. A escolha dos bárbaros para vergonha dos democratas e justos.Penso que um grande estadista, como foi D. Carlos I, está acima de debates sobre a natureza republicana ou monárquica do regime. Uma pessoa, notável nos trabalhos que desenvolveu nas artes e ciências, merece uma referência elogiosa.
Talvez Portugal precisasse de mais homens assim: cultos, informados, preocupados com a evolução dos destinos do país. Ou, eventualmente, apenas precisa de escutar os bons que tem. A História não responde a probabilidades. Mas, no final, fica-me a questão quanto ao que teria acontecido se D. Carlos tivesse abdicado em favor de D. Luís Filipe, figura conotada com os críticos do governo de João Franco (4) e extremamente popular (3, 5)? Estaríamos melhor?
Nota: A camarada Mariana provavelmente não se revê nesta minha mensagem, pelo que a convido a um saudável contraditório.
Pedro
(1) Cf., Ramos, R. (2006). D. Carlos I. Lisboa: Círculo dos Leitores.
(2) Cf., Pailler, J. (2001). D. Carlos I: Rei de Portugal. Lisboa: Bertrand Editora.
(3) Cf., D. Carlos I (2006). Cartas D’El Rei D. Carlos I a João Franco. Lisboa: Betrand.
(4) Facto desmentido por João Franco em Cartas D’El-Rei D. Carlos I, mas que permitiria ao príncipe herdeiro uma inversão na política da casa real portuguesa.
(5) Cf., http://ww1.rtp.pt/noticias/?article=322626&visual=26&tema=5
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